Educar para o mundo virtual
A responsabilidade das famílias da escola

Como pais e mães, freqüentemente nos perguntamos: qual a idade para dar um celular ao filho? Videogame faz ficar mais inteligente ou traz efeitos indesejados para o desenvolvimento? MSN, Orkut, sites perigosos... como e o que controlar? 

A responsabilidade é mesmo toda nossa. Mas quem de nós é especialista em ser pai ou mãe dos próprios filhos? Em geral, aprendemos com os próprios erros, revisando os próprios traumas, tentando tirar algo de bom de nossas memórias como filhos, buscando acertar por instinto e intuição. Amor e sensibilidade são essenciais, mas num mundo tão complicado, informação e conhecimento são igualmente importantes. Onde, porém, achar o tempo para ler ou discutir objetivamente sobre os temas críticos da educação de hoje?

A velocidade e a mitologia tecnológica são agravantes: arrastam-nos no consumo desenfreado e sem clareza de critérios, levados a crer que, a cada temporada, crianças e jovens precisam de novas bugingangas que tocam coisas coloridas tal qual precisam de alimento para crescer. Talvez precisem de algumas; de outras não... quem sabe?

Nós educadores escolares não estamos em posição muito diferente. Mas, num contexto sociocultural totalmente inusitado, trocar preocupações e idéias é essencial para quem educa em casa ou na escola - tratam-se dos mesmos jovens e das mesmas responsabilidades.

 Algumas idéias:

>>Conhecer e acompanhar sobre o que filhos/alunos conversam, lêem, assistem, jogam. Mesmo que não gostemos, essas são novas responsabilidades que temos na era digital.

>>Identificar as idéias e valores presentes no consumo cultural de nossos filhos/alunos. O que nutre a imaginação, o desejo e a moral de nossos filhos/alunos é de nossa conta. Poder influenciar suas preferências e escolhas começa em nossa própria percepção crítica acerca daquilo que eles consomem.

>>Observar as relações entre os hábitos de mídia de nossos filhos/alunos e seu comportamento cotidiano. Ansiedades, desejos e escolhas, em diversos níveis, são respostas a estímulos vindos de suas práticas de comunicação e entretenimento.

>>Buscar correspondências entre seu universo de valores, idéias e comportamentos e os nossos próprios, quando tínhamos sua idade: o que ocupava o lugar que hoje tem o celular, a internet, os games?  Vivemos num ambiente mais veloz, mais intenso, que antecipa etapas e eventos do desenvolvimento infanto-juvenil. Mas, se lembrarmos bem, há 20 ou 30 anos, nós já corríamos na frente de nossos pais em relação a muitas coisas. Essa revisão é capaz de construir pontes entre nós e nossos filhos/alunos, pelas quais possamos contribuir para que se aventurem com mais segurança nas relações virtuais (de amizade, de estudo, de consumo etc.).

>>Demonstrar interesse pelo cotidiano de nossos filhos/alunos. Diálogo é uma aprendizagem que começa cedo, juntamente com posturas de interesse e respeito mútuos; requer relações mais horizontais, com espaço para negociação.

>>Conhecer o que dizem as leis atuais sobre infância, adolescência, família, escola e sua relação com os novos meios digitais. Os aspectos jurídicos de nossas responsabilidades são parte nossa cidadania e um pressuposto básico da condição de pais e educadores.

No mundo material tanto quanto no virtual, adultos não se tornam pessoas conscientes e bons usuários de suas liberdades instantaneamente, ao completarem 18 ou 21 anos. Adultos responsáveis e críticos se formam nos anos de infância e adolescência em que aprendem a lidar com sua liberdade e com sua correspondente responsabilidade social. Para isso, precisam experimentar, errar, refletir e aprender a acertar. Nesse aprendizado é que entra o educador, na família ou na escola.

Eduardo Monteiro
ACESSOR DE COMUNICAÇÃO - CSI
comunica@santoinacio-rio.com.br