Limites: "dizer não"
Cristina Espanha
Orientadora Educacional - Educação Infantil

A estrutura familiar na qual cada criança está inserida deve ser
referência singular na construção de seus primeiros vínculos.
Antes mesmo dos nossos filhos nascerem, manifestamos as mais diferentes expectativas quanto ao seu futuro e, neste processo, nos defrontamos com possibilidades, avanços e alguns retrocessos de como melhor educar.

Ao refletirmos sobre qual a “dose” ideal de limite a dar a um filho, nem sempre conseguimos obter respostas precisas às questões mais comuns do dia-a-dia. Como poderemos hoje dar
limites numa sociedade onde nem tudo é para sempre? Onde estamos perdendo a privacidade pela invasão de valores do mundo global? O limite dá contornos à vida, ordena as crianças internamente organizando os conhecimentos afetivos, sociais e
lúdicos.

Na fase da latência, que vai dos 6 aos 12 anos, a criança procura contornos para a sua personalidade. No dia-adia
nos defrontamos com explosões de “birras” e de mandos, num
transbordamento de emoções que muitas vezes refletem os personagens simbólicos eleitos pelos nossos filhos.

É através da batalha de como dizer “não”, dos momentos de ir e vir que os pais devem redimensionar os conteúdos que perpassam na questão, estabelecendo um diálogo autêntico e
firme frente as perguntas e atitudes das crianças.

Daí a importância de não perdermos de vista três objetivos básicos na construção das regras: o primeiro é preservar o diálogo; o segundo é a definição clara de valores e princípios
na família e, por último, a redimensão dos limites de acordo com o desenvolvimento de como a questão está sendo internalizada pelos filhos.

Com certeza, “dar limites” não é fácil! Se tentarmos mudar o verbo “dar” para o verbo “construir”, iremos observar que uma via de mão dupla se formou e que talvez possamos lidar
melhor com as nossas incertezas, mas sem perdermos de vista a referência moral que somos para os nossos filhos.
Eles esperam de nós um “não” que os organize internamente.