Conversando sobre autonomia
Mariza Freitas
Orientação Educacional - Educação Infantil
Fala-se muito na preocupação de formar nossa criança dentro de limites. Entenda-se limite como a relação que se estabelece entre o “eu”e o “não ‘eu”.
Esta percepção é construída em etapas na evolução do sujeito, até chegar à autonomia. O sufixo “nomia” significa “leis, regras”. O bebê, ao nascer, não pode conhecer e agir em função de normas do grupo em que se encontra. Numa segunda fase, a criança percebe que existem as regras e que estas, criadas fora, provêm dos outros. Já na autonomia, como bem diz o prefixo “auto”, a lei está internalizada no próprio
sujeito.
Desde a mais tenra idade, a criança precisa receber afeto e educação. Educar significa mostrar à criança que ela não pode ter tudo o que quer na hora que quer, mas deve aprender a esperar e ver o outro com respeito, como pessoa que também tem objetivos. Cobrar respostas dentro dos “combinados” desperta a criança para o ato de separar a liberdade que usufrui da vontade que a impulsiona. Não se trata aqui de ter uma postura passiva, mas, antes de tudo, de diálogo. Ela pode e deve ser incentivada a argumentar e refletir sobre seus gestos.
Para criar sua história, ela dependerá da habilidade em superar as dificuldades mesmo que seja na experiência contida no erro. Quando fazemos algo que ela já é capaz de executar sozinha, menosprezamos o seu desenvolvimento. Hábitos de organização pessoal, assim como a leitura de jornais e revistas, devem ser incentivados. Breves momentos diários de conversa integram as informações da criança ao mundo da família.
Conhecendo o “não” e vivendo em um ambiente que expresse valores positivos, a criança, através da observação e exemplo dos adultos que a cercam, irá desenvolver atitudes de cooperação. A essência da educação é, sem dúvida, a formação e a instrução pautadas em modelos democráticos, em justiça e
solidariedade.