Colégio Santo Inácio: História
Educando em sintonia com cada tempo
O passar do tempo não provocou apenas mudanças físicas no Colégio Santo Inácio. O que muda no mundo fora das salas de aula também se reflete no comportamento dos jovens e no trabalho dos educadores. Ao longo de um século, mudaram as formas de vestir, de falar, de pensar. E mudaram, sobretudo, as formas de ensinar e de aprender.
As depressões que hoje vemos nos degraus das antigas escadas de madeira nos contam que durante 40 anos, todos os dias, os alunos somente andavam formados em fila e em absoluto silêncio. Que marcas os jovens de hoje deixarão para o futuro do Colégio?
A década de 60 provocou grandes e irreversíveis transformações no comportamento dos jovens. Acontecimentos como o movimento hyppie, a liberalização sexual, a crescente participação da mulher na sociedade, a guerra do Vietnã vão marcar a aparência e o comportamento dos alunos, provocando transformações no trabalho educativo e religioso, especialmente a partir do Concílio Vaticano II.
Em 1971, com as primeiras meninas sendo matriculadas, a face do Colégio se transformava definitivamente . De um dia para o outro, o ambiente que por setenta anos fora eminentemente masculino, tornava-se uma escola mista. Atualmente, muitos alunos e alunas do CSI são filhos de casais cujos relacionamentos começaram quando ainda eram estudantes inacianos.
No campo político, o país vivia um período difícil entre os anos 60 e 70. A Igreja envolveu-se com a defesa dos direitos humanos e os jesuítas participaram ativamente das manifestações populares, muitas vezes marcadas pelo confronto com a polícia de repressão.
Nessa mesma época, aumentava também a preocupação social, que era trabalhada nos alunos por meio da ação pastoral. Inicialmente foram os movimentos de encontros de jovens que, com a aquisição da casa de Corrêas, em Petrópolis em 1968, se organizaram em torno do CEC - Centro de Encontro de Corrêas, reunindo um grande número de jovens. A casa também era muito usada para cursos de formação e colônias de férias.
Por essa época, o trabalho social envolvendo alunos e ex-alunos, concentrava-se nas comunidades carentes da localidade de Japuíba, na estrada a caminho de Nova Friburgo. Já os eventos mais voltados para a espiritualidade, tradicionalmente foram baseados na Casa de Retiros Padre Anchieta, ou Casa da Gávea, como ficou mais conhecida, adquirida na década de 30 e hoje totalmente modernizada.
A partir de 1979, com o acontecimento da Conferência Episcopal de Puebla, o caráter social do trabalho educativo e de evangelização do CSI adquiria um traço mais definido. A proximidade do Santo Inácio com o Morro Dona Marta tornou a comunidade inaciana mais engajada com os problemas sociais. O que se iniciara em 1962, com as Tarefas Sociais das Congregações Marianas em favor da comunidade do morro, a partir de 1979 transformou-se na Fesoi - Feira de Solidariedade Inaciana, um trabalho vigoroso que, desde então, financiou a construção de creches, ambulatórios, mutirões, entre outras ações de compromisso com aquela comunidade. Para isso tem sido fundamental a participação de famílias de alunos e ex-alunos, mobilizados a partir do trabalho do Encontro de Pais com Cristo -EPC, iniciado no final dos anos 70 pelo padre Araújo.
Por fim, o Curso Noturno seria uma das obras mais representativas da ação social e de evangelização do Colégio Santo Inácio nas últimas três décadas. Aberto em 1968 e voltado para jovens e adultos trabalhadores que queriam e precisavam estudar, este trabalho ganhou força e expressão, principalmente pelo empenho dos educadores que, assim como seus alunos, após um dia inteiro de atividades em outros locais, viriam trabalhar em classe até depois das dez da noite, todos os dias. O Curso Noturno conta hoje com cerca de 1.200 alunos e setenta educadores, oferecendo a garantia da formação básica para os estudantes, desde a alfabetização. Os cursos profissionalizantes de Administração, Auxiliar de Laboratório e Enfermagem são uma oportunidade a mais na preparação para o mercado de trabalho. Há ainda um consistente trabalho de desenvolvimento espiritual e humano, assim como a formação da consciênica crítica sobre as principais questões sociais relativas à realidade deste púlblico trabalhador.